Leonard Cohen (★1934 – †2016)

14/11/2016 by Alisson Eloi in Textos

Vamos deixar de mimimi. Não venha com “2016, que ano horrível”. Leonard Cohen já havia avisado que estava pronto para morrer. Dias depois voltou atrás, falando que iria viver até os 120 anos, provavelmente depois de ter tomado um puxão de orelha de alguém mais próximo. “Não, não fala uma coisa dessas”, alguém deve ter dito. Mas ele sabia. Estava com 82 anos, ergueu uma trajetória ímpar, cronista da constante consciência da maturidade. Provavelmente olhou para o curto futuro e falou ”é isso”. Cumpriu seu papel. Encerrou seu ciclo. Hora de acabar. Tudo bem.

Não o envergonhem com emoticons chorosos, lamúrias autoindulgentes, um luto egocêntrico que parece mais festejar a importância do sofredor do que a obra do morto. A morte é o único destino definido, o outro momento (após o nascer) que nos define como seres humanos. É uma determinação biológica, não escolhe vencedores. Todo fã – ou mero ouvinte – de Leonard Cohen devia saber disso. O fim é inevitável, o que importa acontece antes.

Leonard Cohen (★1934 – †2016)

“Enquanto escrevo isto penso na sua combinação única de desaprovação em relação a si mesmo e dignidade, a sua elegância acessível, o seu carisma sem descaramento, o seu cavalheirismo de outro tempo e a laboriosa torre do seu trabalho. Há tanto por que gostava de lhe agradecer apenas uma última vez. Agradecer-lhe-ia pelo conforto que sempre prestou, pela sabedoria que concedeu, pelas maratonas de conversas, pela sua inteligência brilhante e humor. Agradecer-lhe-ia por me dar e ensinar a amar Montreal e a Grécia. E agradecer-lhe-ia pela música, primeiro pela sua música, que me seduziu quando era rapaz, depois por me ter encorajado a fazer a minha própria música, e por fim pelo privilégio de poder fazer música com ele. Obrigado pelas vossas amáveis mensagens, pelas vossas condolências sem fim, e pelo vosso amor pelo meu pai.”

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